sábado, 11 de junho de 2016

I am back

...ou diria, vim só cá dar uma espreitadela e espero não desaparecer outro meio ano...

Provavelmente não tenho estofo para esta coisa dos blogues ...sou fraquinha, fraquinha a dar updates.


Encontro-me neste momento a 15 dias de finalizar o meu estágio.
Estagiei num hospital público. Tive o prazer de conhecer pessoas fantásticas que mereciam receber o triplo do seu salário. Conheci alguns que deveriam ser despedidos. Desfiz algumas ideias pré-concebidas e adorei quase todos os segundos que lá passei até agora.

Acima de tudo, contra tudo o que esperava, acho que criei ali extrema empatia com praticamente todos os meus colegas (quase que me arrisco a dizer algumas boas amizades que acredito venham a perdurar...só o tempo o dirá), conheci pessoas maravilhosas que me foram dando apoio, tive a melhor orientadora que poderia ter desejado: encorajadora, exigente, compreensiva e além de óptima profissional, também é óptima pessoa.

Agora, a 15 dias de finalizar o estágio, ando com um imenso nó na garganta.
Queria continuar lá, trabalhar lá. Melhorar o serviço, implementar ideias (e de preferência receber por isso obviamente).

Percebi também que afinal até tenho jeito para aquilo, que afinal até sou capaz de aplicar na prática o que aprendi e...milagre (!), sair-me bem a fazê-lo.

Sinto-me ambivalente em relação a tudo.
Adoro o facto de me dizerem que me querem lá (mas cunhas maiores outros interesses se sobrepõem), adoro o facto de me ter conseguido integrar tão bem com aquela equipa, adorei perceber que não, nem todos os locais de trabalho estão pejados de pessoas invejosas e com vontade de nos fazer mal - até bem pelo contrário pois tive muita ajuda e compreensão de todos, principalmente quando o meu filho foi operado e tive de faltar uns dias quase do "nada".
Adoro o facto de me terem dito que não queriam que me fosse embora, não que quem me diga isso mande alguma coisa mas... é tão bom de ouvir!
E sinto-me imensamente triste.
 Depois de perceber que amo fazer aquilo que faço, perceber que até tenho jeito para a "coisa", perceber que quem me supervisiona me considera boa profissional e adorar todo o ambiente e pessoas ao meu redor...pois que estou a 15 dias de dizer adeus. E isto custa. Muito.

(Portanto vim cá ao meu "muro das lamentações", depois de meio ano sem dar sinais de vida, só para dizer que preferia estar tão ocupada como estive até agora, sem tempo para vir cá ou quase para ter vida própria, do que ter de abandonar aquele local).

Ps: A Tese continua a estar terrivelmente atrasada e já não a entrego na primeira fase...

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Estágio

As maravilhas de estar a estagiar é que em tudo se assemelha a um local de trabalho, tirando aquela "pequena" questão da remuneração... Não que não esteja a gostar (porque estou mesmo a adorar) só que já que não tenho umas coisas gostaria de ter, pelo menos os meus outros direitos assegurados.

Como se diz "não" quando nos pedem para ir trabalhar estagiar nas nossas férias por motivos óbvios de falta de pessoal?
É uma coisa que terei de aprender.
Não será este ano que vou aprender isso de certeza.

Não haveria problema nenhum se a tese não estivesse hiper-atrasada, se eu não tivesse a casa cheia de pessoas no dia 24 e 25 de dezembro e se não tivesse gente cá por casa no dia 30 e 31...



segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Coisas que ainda não partilhei...

Mora cá em casa um cãozinho (neste momento já é mais "cãozão").

Algures em Julho recebemos a chamada de um vizinho  a dizer-nos que havia um senhor que tinha um cão para dar. Dar não será a palavra certa: tinha um cão para despachar. Não o queria em casa e se ninguém o fosse buscar, ameaçava que o ia simplesmente abandonar na rua.

Fizemos uma relativamente longa viagem para o ir buscar, lá chegados percebemos que nos tinha saído um patudo giraço, preto, com umas manchas brancas no peito e nas patas.
Parece realmente um labrador mas disseram-nos logo que não era porque para ser puro não poderia ter manchas (who cares??) ... ainda hoje não sei se o abandonaram porque não queriam ter trabalho com ele ou se simplesmente perderam a vontade de o ter depois de perceberem que não era puro.

Estava preso com uma coleira num local pequeníssimo, tinha a gamela da comida e da água ao lado e fazia as necessidades ali mesmo ao lado.... quando lhe pegamos para vir embora nem se quiseram despedir do cão...aquilo caiu-me mal.

Portanto, faz amanhã 5 mesinhos (mas já está enorme), faz asneiras, foge quando começamos a ralhar com ele (parece que acha que é uma brincadeira, foge, saltita e sempre com a cauda a abanar) , aninha-se nas patas e olha para nós com cara de "cachorrinho abandonado" e abana a cabeça de um lado para o outro quando se apercebe que foi apanhado a fazer asneiras! E como é que podemos ficar sérios ou zangados?!


O nome? O nome é de uma figura canina da Disney...escolhido pela criança cá de casa ;)

sábado, 14 de novembro de 2015

Mais uma vez






Não há palavras para descrever o que estes ataques são. 
São mais do que um ataque a Paris, é um ataque à liberdade.


Ontem mais uma vez o coração ficou pequenino, o facebook marcou uns 12 amigos e familiares como estando "seguros"...e os outros?! Telefonamos para todos a meio da noite. 
No facebook alguns apareceram logo para dizer que estavam bem... 
Um "desaparecido" deu noticias passadas umas horas: estava dentro do estádio...
Felizmente todos os que conheço estão bem... mas morreram imensas pessoas e muitas mais ficaram feridas. A maioria com certeza ficará em choque durante algum tempo.


Como se reage a isto? Como se combate?




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Regresso

Talvez nem exista mais ninguém aí desse lado para me ler... não seria de estranhar se assim o fosse, afinal deixei isto meses a fio sem nenhuma explicação.

O que se passou nos últimos meses foi uma miscelânea de coisas e situações... de sentimentos extremamente negativos e outros extremamente positivos.
Perdi pessoas, fiz frente a situações menos agradáveis, por vezes deixei-me estar na minha comiseração, noutras tentei levar o mundo às costas, por mim e pelos outros.
Vi mães a perderem os filhos, caramba. E vi filhos a perderem as mãe. Se numas mães a idade e o estado de saúde poderia de alguma forma indicar que isso poderia acontecer, noutras situações foi completamente inesperado. Mas que uma mãe veja o filho a morrer... devia ser impossível.

A vida tem-me ensinado umas coisas... entre elas, que não vale a pena adiar nada para amanhã. Se temos as condições necessárias, o melhor é não esperar pelas ideais e fazer aquilo que queremos. Aproveitar a vida, aproveitar os amigos, os filhos... as pessoas importantes. Aproveitar o dia "hoje".

Mas a vida também tem coisas boas. Temos de saber aproveitá-las.

Voltando àquilo que ocorreu nestes últimos meses:

Depois de um final de ano lectivo atribulado, um verão que teve tanto de bom como de péssimo, regressamos em força ás questões de estágio e afins...pois que até aqui a vida quis ensinar-me umas coisas...
Já depois de termos seleccionado os locais de estágio por ordem de preferência e os mesmos terem sido todos distribuídos (por preferência, médias, etc) eis que começamos a "ver navios" quando as diversas entidades, que tinham garantido a continuação dos estágios, decidem simplesmente terminar com os protocolos estabelecidos. Alguns locais não queriam continuar a receber, outros fecharam, outros queriam que a universidade lhes pagasse para que aceitassem estagiários... enfim...
Obviamente* que o meu local de estágio estava incluído nessa meia-dúzia de estágios que deixaram de existir (como não podia deixar de ser). Ora, só havia 2 possibilidades: ou nós que ficamos sem estágio retirávamos quem já tinha começado a estagiar dos locais (porque quem tinha melhor média teria sempre prioridade) ou então tínhamos que nos desenvencilhar a arranjar os nossos locais de estágio...

Mas, apesar de isto parecer uma comédia daquelas bem bem macabras... no final tudo acabou bem [tal como nos filmes]... Não só todos conseguimos estágio sem que ninguém tenha ficado sem estágios, como conseguimos bons locais de estágio. Eu acabei por ter mais sorte do que alguma vez esperei porque quando já quase não havia esperança (ou quase, vá, estou a ser dramática) tive a sorte de abrirem mais uma vaga para um excelente hospital perto de minha casa ;)

Portanto, de momento, estou a estagiar pertíssimo de casa, adoro o que estou a fazer e a minha orientadora do hospital é espectacular.
Além disso, o tema da tese está escolhido, já estou a fazer pesquisa e a desenvolver o protocolo para pedir as autorizações para as recolhas necessárias...

... e assim vai a vida :D




*Este "obviamente" advém do facto de eu ter a sensação que, se alguma coisa tem que correr mal algures à minha volta, hei-de estar sempre envolvida, seja como for.  É aquela coisa da Lei de Murphy ;) - neste caso talvez seja a "Lei da D. "


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Nojo

Se aquela imagem que passam constantemente daquela pobre criança morta fosse de algum chefe governamental desta Europa, o que aconteceria aos jornalistas que a publicitam?

Sim uma imagem diz mais que mil palavras, neste caso, creio que a imagem também diz muito do respeito que temos (ou da falta dele) e da vontade, quase promiscua, de fazer dinheiro de algumas pessoas.

Claro que choca, claro que nos faz ficar lavados em lágrimas, faz-nos sentir impotentes e cheios de pena...mas se fosse meu filho eu odiaria todas as pessoas que tivessem aproveitado aquele momento para beneficio próprio, para ganhar dinheiro. Fala-se muito das imagens que os pais publicam e partilham na rede mas sobre esta falta de sensibilidade e humanidade por parte dos media, ninguém diz nada?!

domingo, 14 de junho de 2015

Desabafo (ou "ainda não morri, mas quase")

Lata é avisarem uma miúda do grupo a comparecer porque precisam de falar com ela e ela (que nada fez para nenhuma cadeira no semestre, tendo ficado com 4 trabalhos feitos à nossa conta) nos dizer que será prejudicada no teste porque, como não trabalhou durante o semestre todo não percebe nada daquilo. Lata é ela disser que, para esse trabalho em específico, até via as actualizações que íamos fazendo para se inteirar da coisa, para tentar perceber o que nós tínhamos feito.
Latão é quando lhe dissemos que, tendo em conta tudo o que se tem passado, estávamos a pensar retirar o nome dela desse trabalho (os outros já tinham sido entregues) e a reacção da canalha miúda ser "só quero saber se sim ou sopas!"

Sopas, menina,sopas... e não digas que vai daqui porque já vais bem tarde....!

(melhor, melhor, só uma outra que teve a distinta lata de refazer uma parte de um trabalho de uma forma muito mal feita, andar a queixar-se que tinha trabalho imenso e que nós não fazíamos nada [a miúda fez 2 parágrafos num trabalho de 15 páginas...] para depois virmos a descobrir que tudo o que ela fez foi copy paste de um trabalho já feito.... ou seja, plágio!!!)


*A sorte é que isto já está a acabar... um dia destes conto-vos como afinal o meu maior sonho e expectativas virou uma das maiores desilusões: incluindo universidade, docentes, exigência dos mesmos e colegas (na sua maioria com a visão da vida - "se eu poder não fazer nada e ter os louros, melhor").

No meio disto tudo, ainda deu para conhecer algumas excelentes pessoas que acredito que venham a ser bons profissionais no futuro... a maioria lá continuará a passear os livros e a ser sustentado pelos papás.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Orgulho


Hoje o B. disse-me que gostava de ter uma tia (ele só tem um tio que é o meu irmão). Eu disse-lhe que ele tinha 2 tias emprestadas (2 amigas minhas que estão sempre a dizer-lhe isso e que assumem bem a função disso), para além disso tem a madrinha que é prima mas que também é como se fosse tia.
Vai e diz-me que sabe que tem mas que gostava mesmo de ter uma tia dele. E eu respondi-lhe que ele iria ter quando o tio arranjasse uma namorada.

Resposta dele: "Ou um namorado. E depois fico com 2 tios!" Com a maior naturalidade do mundo...

 Eu disse-lhe que provavelmente seria uma "tia", tendo em conta que o tio gosta de meninas. E ele responde-me que "também não tem mal se ele gostasse de meninos, pois não?"

A naturalidade com que ele percebe estas coisas e as aceita é impressionante (até porque cá por casa nunca ninguém lhe falou de homossexualidade e o R. é um homem :) )

Ainda recentemente numa conversa com a avó, ela ficou chocada com a publicidade da Coca-Cola onde tem um casal de homossexuais. Diz-lhe o meu filho "o que interessa é que as pessoas se amem"!!

Eu sei que isto pode chocar muito boa gente mas a verdade é que isto me deixa extremamente orgulhosa. A capacidade dele em aceitar as diferenças nos outros é algo que eu aprecio muito. Ele tem uma visão muito própria do mundo, vê o essencial, valoriza o essencial e isso para mim, será sempre motivo de orgulho.

(isto era para ser um blog de partilhas e registos pessoais, agora tornou-se num baby-blog ou será boy-blog - tendo em conta que o rapaz já não é baby??)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Amor

O tempo é escasso, foge-nos entre os dedos. O tempo urge-nos, stressa-nos, apressa-nos. Um dia damos por ela e já se passaram anos, a correria continua, o tempo não estica e eles crescem, vão crescendo e nós mal damos por ela porque andamos demasiado ocupados a correr, a cumprir objectivos, a cumprir metas, à espera, sempre ansiosos pelo futuro, preocupados com o futuro mas tão pouco atentos ao presente. 

Um dia espero voltar a este blog e sorrir ao lembrar-me destas músicas do dia de mãe:

(o colo da minha mãe)

(dia da mãe - a minha mãe)


Hoje, sentado no meu colo, depois do jantar, cantou:
"Só há um lugar no mundo onde está sempre tudo bem, é um lugar quente e fofinho é o colo da minha mãe" - e abraçou-me.

Pronto, era isto. Tenho pena de ver a vida a correr tão depressa e a ter tão pouco tempo para agarrar nestes momentos e poder prolongá-los.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Dizem que compensa...



Eu, neste preciso momento!

É em épocas como esta que eu graças aos santinhos todos por estar desempregada. Duvido muito que fosse capaz de fazer tudo o que preciso de fazer caso tivesse ainda mais um emprego... nem tudo é mau.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Afinal o que é? (update)

Já vos tinha contado aqui que estamos um bocado perdidos por não fazermos ideia do que o B. possa ter.

Tendo isto em conta, andamos também à procura de outras opiniões e ideias de outros especialistas. Recentemente a noiva dum primo meu (médica,  a estagiar na pediatria do hospital onde o B. anda a ser seguido) disse-me que não se importava de ver o processo dele e de até o mostrar aos orientadores dela para ver se eles conseguiriam descortinar alguma coisa.

Hoje ela respondeu-me. Nem ela, nem os orientadores fazem ideia do que possa ser, que a pediatra que o está a seguir já descortinou as supostas pistas  que se revelaram nulas e que também não conseguem imaginar o que possa estar por detrás.





sexta-feira, 20 de março de 2015

Dia da felicidade

Segundo o B., felicidade é:

"Quando estou com a minha familia todaaaaaa, os meus amigos, os meus carros, os meus brinquedos. Mas o mais importante são as pessoas."



segunda-feira, 16 de março de 2015

Quem não arrisca não petisca

Eu não sou pessoa de ser muito insistente, de não largar o "osso". Gosto de dar espaço às pessoas tanto quanto gosto que respeitem o meu espaço.
Mas nem sempre isso é algo bom.

Há uns anos atrás uma professora minha contava uma história duma rapariga, novinha, acabadinha de sair da universidade mas com uma ambição tal que era de meter inveja a muitos. Contava esta senhora que a rapariguinha tinha o sonho de trabalhar na empresa X e que durante vários meses tentou, sem sucesso, uma entrevista com o chefe-máximo lá do sitio. Claro que a rapariga enviara o Curriculum mas ela já antecipava não ser chamada, por isso, ia tentando a sorte de conseguir uma reunião com o boss para ver se a coisa lhe corria melhor. Volvidos uns bons meses e sem sucesso, a rapariga passou basicamente a stalker deste senhor, onde concluiu que o senhor ia todos os dias, a uma determinada hora lanchar, num determinado sitio. Munida com o seu CV e uma coragem (lata?!) total, aproximou-se do senhor, sentou-se de imediato à sua frente (sim sim a lata é uma coisa só para alguns) apresentou-se, contou o que já tinha feito para conseguir trabalhar para a sua empresa, o que achava que poderia dar à empresa e o motivo de o andar a seguir. Se movido pela beleza da moça, se movido pela sua persistência intensa, a verdade é que a rapariga começou a trabalhar 3 dias depois (se fosse nos EUA poderia ter levado uma ordem de restrição... just saying).


Esta é daquelas histórias que volta e meia me assolam à mente, principalmente quando estou perante pessoas "inacessíveis" e quase que me inibo, inconscientemente, de optar por certos caminhos só porque acho que não vou conseguir. É uma espécie de campainha mental para eu me esforçar mais, dar mais de mim, ser mais chata, ter mais lata. Afinal o que tenho a perder?! O "não" está garantido mas o "sim", esse, só passa a ser uma possível resposta caso arrisque!

(Hoje recebi um e-mail, que quase não enviei, com toda a documentação que preciso para um trabalho, assim como autorização para a utilização do mesmo para fins académicos! E eu que pensava que seria impossível...)

sábado, 14 de março de 2015

Eu também gosto de fins-de-semana prolongados

Que me desculpe quem está nisto da greve por amor à causa mas não é MUITO estranho que todas as greves calhem de forma a ficarem com fins-de-semana prolongados? Eu cá acho MUITO estranho. Lamento.

Já agora, também acho muito estranho que depois de tanto mês à espera [8 MESES] de uma consulta no otorrino do hospital público, me tenham telefonado na 4ª feira, à pressa para marcarem uma consulta em cima do joelho para 6ª-feira. Logo para esta 6ª-feira onde eles não apareceram para trabalhar...
Já agora, isto dá para especular se não andaram a marcar consultas para depois parecer que ficou muita gente sem consulta, dá para especular se não andaram a desmarcar aos amigos (para eles não irem ao engano) e a marcar aqueles cujo prazo para a consulta está a chegar pertinho do limite legal!! Já agora, será que agora o tempo de espera voltou à estaca zero? Vocês terão mais 9 meses para chamar a criança ou só mais um*?!



* Este hospital que falo esteve recentemente nos noticiários por marcar operações e depois as desmarcar para ganhar tempo.


Adenda: tenho que dar os parabéns à escola do B. onde, mais uma vez, colocaram o bem-estar dos miúdos à frente do efeito surpresa da greve e avisaram os pais que a escola não iria funcionar. Se haverá muitos a acreditar que isto vai contra os princípios da greve? Pois haverá. Mas depois há aqueles que são humanos, que sabem que não estão a trabalhar com máquinas e que tem consideração pelos alunos e pelo bem-estar dos mesmos.

domingo, 8 de março de 2015

Ela não se lembra

Fui visitá-la naquele lugar estéril. Detesto vê-la lá. Um quarto minúsculo onde colocaram 2 camas de solteiro, 2 mesas de cabeceira e um aquecedor. Ao lado dela está uma senhora que grita durante a noite e dia, que nos chama os nomes de quem eu acredito serem seus familiares. Não há televisão, ela diz que não faz falta, que já não vê muito. Nós dizemos que lhe podemos trazer um rádio, ela recorda-nos que já lhe trouxeram um e que está guardado na mesa de cabeceira. Ela está deitada na semi-obscuridade porque já não tolera os raios de sol, raramente se levanta, mal aguenta as dores que os bicos de papagaio e a coluna deslocada lhe provocam mas não quer ficar confinada à cama.

Falo com ela, pergunto-lhe como está. Ela diz-me que tem uma orelha infectada porque andou a coçar uma borbulha e que rebentou. Ela não pediu ajuda porque não gosta de incomodar e agora tem a orelha com uma ligadura.
O B. dá-lhe um beijo, ela diz "meu rico menino, está tão grande" e nós falamos mais um pouco. Sobre tudo, sobre nada. Nunca me esforcei tanto para manter um diálogo, para introduzir temas e coisas animadas na conversa. Ela diz-me outra vez que tem uma orelha infectada porque andou a coçar uma borbulha e que rebentou... repete isto mais umas 3 vezes enquanto lá estou. Ela não se lembra que já o tinha dito e nós "fingimos" que não sabíamos...

Hoje a conversa foi um pouco diferente. Por norma ela lembra-se do passado, hoje ela disse que não se lembrava se tinha chegado a ser operada às cataratas ou não e eu disse-lhe que sim, que tinha ficado comigo na altura. Ela ficou admirada quando lhe falei do tempo em que ela viveu comigo enquanto eu estava grávida. Ela não se lembra. Depois pediu-me desculpa por não se lembrar e começou a chorar.

Gostava tanto de poder fazer alguma coisa por ela, de ter dinheiro para a ter em minha casa comigo. Custa-me tanto ouvi-la dizer que quer morrer, que não quer sofrer mais, que não está cá a fazer nada...custa-me tanto que os meus tios não me deixem fazer mais por ela, que me cortem as pernas.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Afinal o que é?


A criança tem vindo a ser acompanhada numa especialista nas questões digestivas no hospital cá da zona. Primeiro a dita pediatra pediu para deixar de lhe dar produtos de soja e passar para os sem lactose, depois  pediu para lhe retirar os produtos sem lactose e passar somente a dar produtos de soja (um tanto tentativa-erro). Os com lactose já foram introduzidos uma vez e assim que obtivemos resposta adversa (inchaço e diarreia) paramos logo de lhe dar os produtos com lactose.

As primeiras análises disseram que ele não era intolerante à lactose mas, tendo em conta as queixas a médica decidiu pedir umas análises mais exaustivas.

Hoje a médica informou-me que essas análises foram pedidas porque ela tinha quase a certeza que ele tinha a doença celíaca e que foi para confirmar as suas suspeitas. Só que afinal as análises só revelam que ele não tem doença nenhuma, não tem alergia alimentar nenhuma, que não é intolerante a nada.
Estas análises afirmam que  o meu filho está bem, sem qualquer problema, saudável que nem um pêro.

Só que na realidade, de vez em quando, a barriga dele fica assim (e ele fica, frequentemente, com dores de barriga):




A médica não tem explicação para isto.
Agora vai fazer raio-x para ver o que se passa mas ela diz que não tem pistas. E vou ter que fazer um diário com as fotos da barriga, associando à informação sobre as fezes dele.

Alguém já viu (ou passou) por algo do género? Alguém tem alguma dica sobre o que poderá ser?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

SOS Toking

Durante a idade da parvalheira eu e a Susana éramos amigas, fomos muito próximas e sempre pude contar com ela. Foi das amizades mais sinceras que já tive na vida e ela foi, sem dúvida, das melhores pessoas que já conheci.

Já em escolas diferentes, com horários diferentes passamos a estar muito raramente juntas. Isto aconteceu num tempo em que ter saldo no telemóvel era uma coisa pouco frequente, chamadas ou mensagens gratuitas ainda eram um sonho bem distante e os telemóveis serviam-nos para pouco mais do que receber as chamadas dos nossos pais e o saldo estava reservado para as chamadas de emergência (para os mesmos).

Há uns 12 anos, num sábado, a Susana mandou-me um SOS Toking. Era a nossa forma de comunicar. Enviávamos SOS Tokings ou dávamos toques só para dizer que nos lembrávamos da outra, que estávamos lá apesar de não estarmos juntas. Quando o recebi pensei em responder mas estava a limpar a casa (e a minha mãe detestava ver-me com o telemóvel) e, depois, esqueci-me. Não lhe respondi.

Uma semana depois a Susana foi atropelada e nunca mais tive oportunidade de responder.

Haverá poucas coisas nesta vida que me terão perseguido durante tanto tempo como aquele Toking não respondido. Não me conseguia perdoar o facto de não lhe ter retribuído, o facto de me ter esquecido dela, o facto de ter perdido a última oportunidade de comunicar com ela.

Hoje ao ler um segredo no Shiuu lembrei-me dela, também eu nunca apaguei o número dela, ele desapareceu uma vez quando apanhei um vírus, uns bons anos depois.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Relatos na primeira pessoa

Hoje ouvi uma Brasileira que está a fazer Erasmus em Portugal a dizer umas coisas que me deixaram mesmo pensativa.

A rapariga é de S. Paulo e dizia ela que tinha estranhado algumas coisas que por cá se fazem.
Diz ela que por lá as pessoas não saem até tarde por receio de serem assaltadas, a maioria está em casa ainda antes das 22h (antes de escurecer) e que permanece lá durante toda a noite; a maioria das pessoas tem várias fechaduras, portas grossas e tendem a ter tudo trancado; disse-nos que as pessoas não se juntam em praças, que não ficam em esplanadas porque se sentem demasiado expostas, inseguras e com medo de serem assaltadas, levadas por arrastões ou que sejam atingidas por balas perdidas. Em suma, disse-nos que todos estão constantemente com medo, sempre alerta mas nem se apercebem disso porque é o normal, a única coisa que conhecem.

Eu não tinha noção que lá era assim.
Disse-nos ela que tinha ficado muito admirada porque as pessoas cá não trancam as portas, só as batem (ou no máximo, trancam mas só com uma fechadura), que ficou espantada por ver os alunos a conviver nas esplanadas, a andar livremente pelo campus universitário, assim como o facto de estarem sentados nas praças, com as coisas pousadas ao seu lado sem grandes medos ou cuidados. Disse que era impossível fazer isso em S. Paulo, que ninguém ficava assim tão exposto durante mais de 5 minutos por lá, que as pessoas se sentem vulneráveis, passíveis de serem atacadas a qualquer momento.
Disse que se sentia segura, livre e que tinha saído dela um enorme peso psicológico, que deixou de olhar para trás, que deixou de estar sempre alerta. Diz que se sente livre por não ter que controlar sempre as horas para ir para casa (porque lá queria chegar a casa sempre antes de escurecer), que não se sente insegura pelo caminho, que não tem medo de o percorrer sozinha. Diz que nunca se tinha sentido assim.
E se isto poderia ocorrer somente por ser uma cidade mais afastada das confusões a verdade é que ela nos disse que fora a Lisboa passar uns dias, sozinha, e que tinha tido a mesma sensação: de segurança.

É impressionante ouvir isto na primeira pessoa. Nunca pensei que houvesse assim tantas diferenças.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um dia vou querer lembrar-me disto


Aproximo-me para lhe dar um beijo de boa-noite, ele coloca ambas as mãos ao redor da minha face, puxa-me para ele, olha-me nos olhos e diz "nunca saias da minha vida".


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Saudade


Dizem que os amigos são a família que se escolhe, felizmente por vezes a família também são os amigos que não se escolheram.

Este fim-de-semana vai ser mais ou menos assim, só que não é com o R. é com o meu maninho. Voltou para o bem-dito dia da defesa nacional, que agora é obrigatório.


Quem ficou mais em pulgas do que eu foi a criança cá de casa que, ultimamente, sempre que se lembra do tio desata numa choradeira imensa e só acalma quando fala com o dito ao telefone.